Os relacionamentos estão em constante transformação. A medida que as pessoas vão mudando seus comportamentos, crenças e ideias, as formas de se relacionar também acabam se modificado. Isso ocorreu ao longo dos séculos, acontece nos dias de hoje e, no futuro, provavelmente continuará mudando.

O interessante da atualidade é que passamos por uma época em que tudo está se tornando cada vez mais descartável. Chegamos em um cenário em que até mesmo as relações acabam se tornando descartáveis, como se elas servissem apenas até o ponto em que ainda são úteis. Quando alguém deixa de nos trazer satisfação, terminamos e partimos para um próximo relacionamento.

Isso faz com que as relações acabem tendo uma “vida útil”, como se elas não fossem feitas para durar, sendo substituídas com facilidade. Assim, no momento atual, as relações, dos mais diversos tipos, acabam tendo certa liquidez.

Isso se torna ainda mais visível quando se pensa nos relacionamentos amorosos. Para encontrar uma explicação para isso, alguns estudiosos estão desenvolvendo teses para compreender realmente o que está acontecendo com a sociedade atual em relação aos relacionamentos.

Uma teoria interessante é a do sociólogo polonês, radicado na Inglaterra, Zygmunt Bauman, visto como um dos intelectuais mais respeitados e produtivos da atualidade. Vamos refletir a respeito da sua teoria e da liquidez dos relacionamentos modernos.

A modernidade líquida

Quando se pensa na sociedade moderna, é possível pensar no conceito de liquidez, em que quase nada é realmente consistente, principalmente os relacionamentos. Bauman explica que os líquidos mudam de forma rapidamente, quando em pressão (mesmo que mínima).

Mais precisamente em relação aos relacionamentos, o sociólogo criou o conceito de “amor líquido” para exemplificar as dificuldades dos relacionamentos modernos. Esse seria um amor criado a partir do padrão dos bens de consumo: mantenha-o enquanto ele te trouxer satisfação e o substitua por outro que promete ainda mais satisfação. Como um líquido, o amor enfrenta dificuldades para se solidificar.

Afinal, a qualquer sinal de problema, as pessoas trocam de parceiro e não enfrentam as situações. Ou seja, não há tempo suficiente para que o relacionamento possa se solidificar.

Dessa maneira, os estágios naturais das relações amorosas estão deixando de existir, afinal, os problemas não estão sendo enfrentados. Para muitos, é mais fácil iniciar uma nova relação do que tentar resolver os problemas do relacionamento atual.

Hoje, as pessoas visam apenas o prazer imediato. Dessa forma, as pessoas estão trocando de parceiro com mais facilidade, em busca de alguém ideal. Porém, não deixam com que essa pessoa se torne ideal. Ou melhor, qual seria um parceiro ideal?

E quem busca um relacionamento em longo prazo?

De acordo com Bauman, em um mundo “líquido”, parece que as promessas de compromisso para a vida se tornam cada vez mais inviáveis, dificultando que os relacionamentos de longo prazo ocorram.

Isso poderia explicar a dificuldade existente em encontrar pessoas que realmente têm interesse em construir algo duradouro. Afinal, as relações acabam se tornando passageiras, com interesses voltados à satisfação imediata.

Com isso, construir um relacionamento de longo prazo parece se tornar algo cada vez mais difícil, pois os interesses se modificaram e as dificuldades de um relacionamento assim podem contribuir para que ele deixe de existir, afinal, muitas pessoas buscam apenas o prazer, esquivando-se das dificuldades.

Porém, é preciso levar em consideração, como afirma Bauman, que o valor de um relacionamento é medido não só pelo que ele oferece, mas também pelo que oferece aos outros. Dessa forma, o melhor relacionamento imaginável é aquele em que ambos os parceiros praticam essa verdade.

Portanto, faz-se necessário pensar, quando se trata de relacionamento amoroso, em processos, etapas. Como se a relação fosse construída ao longo do tempo, se modificando e se solidificando ao longo do tempo.

Por isso, para quem busca uma relação de longo prazo, é necessário dar tempo para que o que começou “líquido” possa se “solidificar”, aos poucos, com as trocas de experiências e, principalmente, com o desejo de enfrentar juntos as dificuldades que aparecerem ao longo do caminho.

E você, concorda com a teoria de Zygmunt Bauman? Tem alguma experiência que queira compartilhar? Deixe sua mensagem nos comentários ou entre em contato comigo! Até a próxima!

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